RISCOS ATRIBUÍDOS AO CLORO GÁS E AS VANTAGENS DA SUBSTITUIÇÃO PELA PRODUÇÃO ELETROLÍTICA DE HIPOCLORITO DE SÓDIO

Para assegurar que uma água esteja livre de microrganismos patogênicos, ela deve passar por um processo de desinfecção, que nada mais é de que um processo que usa produtos químicos ou não químicos para inativar microrganismos presentes na água. Historicamente no Brasil, a maioria das estações de tratamento de água (ETA) costumam usar o cloro gás como produto ou agente desinfetante nessa etapa do tratamento.

Contudo, o cloro gás possui um odor extremamente forte, asfixiante e irritante podendo acarretar vários danos irreversíveis aos seres humanos e ao meio ambiente. Em estado de gás liquefeito sob pressão, potencializam-se esses riscos, podendo ser prejudicial aos equipamentos e bastante tóxico para os seres vivos.

Além dos problemas já mencionados, estudos demonstram que no contato do cloro com substâncias orgânicas presentes na água, são formados subprodutos da cloração (trialometanos, ácidos haloacéticos, halopicrina, haloacetonitrilas, halocetonas e cloro hidrato), podendo ser ingeridos na água em que bebemos.

Entre estes subprodutos, os trihalometanos (THM’s) são os mais conhecidos por causar tumores e afetar o sistema nervoso, fígado e rins, além de causar distúrbios reprodutivos.

Em relação aos operadores de ETA, os riscos que eles podem ser expostos em suas jornadas de trabalho são: riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. O risco nada mais é que a possibilidade de o perigo ser liberado e causar um acidente. Neste caso, é importante saber quais são os danos que podem ocorrer através do contato do produto em partes específicas do organismo humano.
Veja abaixo alguns perigos para a saúde humana relacionados ao contato com o cloro gás:

PERIGOS E DANOS A SAÚDE

• Contato com os olhos: O contato do cloro com os olhos pode ocasionar graves irritações e queimaduras.
• Contato com a pele: Em sua forma líquida pode provocar vermelhidão e formação de bolhas, resultando em queimaduras de 1º e 2º graus respectivamente.
• Inalação: Os efeitos vão depender da quantidade inalada e do tempo de exposição do indivíduo. A inalação de forma breve pode causar danos brônquicos e no caso de inalação prolongada, pode resultar em edema pulmonar agudo, levando a vítima a óbito.

Segundo a pesquisa “Estudo da análise de risco do cloro em estações de tratamento de água” de Sílvia Fontanive, uma vez o cloro gasoso seja inalado é observado efeitos diversos, podendo até ser letal, a depender da concentração de exposição do indivíduo, conforme apresentado na tabela abaixo.

Tabela 1 – Efeito da concentração do cloro aos seres humanos

Sendo assim, a legislação brasileira determina que o limite máximo de tolerância que os trabalhadores podem ficar expostos em jornadas de até 48 horas semanais é de 0,8 ppm (partes de vapor ou gás por milhão de partes de ar contaminado) ou 2,3 mg/m³ (miligramas por metro cúbico de ar).

DANOS AOS MATERIAIS E AO MEIO AMBIENTE

Os efeitos corrosivos do cloro gás relacionados aos equipamentos e materiais, podem causar danos irreversíveis, resultando em perdas e prejuízos financeiros. Em relação ao meio ambiente, a ação do gás sobre a vegetação pode resultar em podas profundas ou até mesmo perdas totais das plantas. No ambiente aquático, o cloro pode ser altamente tóxico para os organismos vivos, comprometendo a fauna e a flora. Em virtude da problemática que envolve os riscos da utilização do cloro, algumas ETA’s têm buscado alternativas para substituição desse desinfetante. Dentre os produtos químicos alternativos ao cloro gás, temos:

• Hipoclorito de sódio ou de cálcio;
• Dióxido de cloro (ClO2);
• Permanganato de potássio (KMnO4);
• Íon ferrato (FeO42-);
• Ozônio (O3);
• Cloraminas (NH2Cl);
• Ozônio/ Peróxido de Hidrogênio (O3 / H2O2);
• Ácido peracético (CH3OOOCH).

Sabe-se que todos eles possuem suas vantagens e desvantagens em relação sua atuação como desinfetante. A escolha do melhor produto químico vai depender de diversos fatores, principalmente das características da água a ser tratada.

De acordo com o livro “Métodos e técnicas de tratamento de água” dos autores Luiz Di Bernardo e Ângela Di Bernardo Dantas, para escolher um novo método de desinfecção é necessário atender as seguintes especificações:

• Seja efetivo na inativação de microrganismos patogênicos;
• Sua aplicação seja confiável e simples, sendo de fácil acesso levando-se em conta o grau de desenvolvimento da comunidade;
• Não produza compostos secundários prejudiciais à saúde;
• Apresente atributos semelhantes aos do cloro, como fornecer residual persistente na água, ter sua concentração facilmente medida, não acarretar sabor e odor na água e estar disponível no mercado a custos razoáveis.

Tendo em vista a necessidade de substituição do cloro, o grupo Hidrogeron®, empresa especializada no desenvolvimento e implantação de tecnologias para a cloração, traz uma alternativa eficiente e segura, que atende as especificações e os padrões de potabilidade.

A tecnologia baseia-se em um equipamento (gerador de cloro) que produz in loco uma solução oxidante, através da eletrólise da salmoura. A solução oxidante obtida é produto da reação eletrolítica do cloreto de sódio (sal) e contém, principalmente, hipoclorito de sódio. No entanto, há a formação de outros agentes oxidantes, como: peróxido de hidrogênio, ácido hipocloroso, íon hipoclorito (cloro livre), traços de ozônio e hidróxido de cloro.

Por se tratar de um sistema fechado, não há a necessidade do contato físico do operador com a solução produzida, ela é aplicada diretamente na água a ser tratada, tornando o método mais seguro, além de ser considerada uma alternativa confiável e de baixo custo. As principais vantagens desta tecnologia são:

• Redução dos custos;
• Facilidade ao acesso da matéria prima (NaCl);
• Atendimento aos padrões de potabilidade;
• Favorece residual de cloro em pontas de rede, devido aos demais componentes oxidantes que torna a solução mais estável;
• Evita riscos operacionais relacionados ao transporte, armazenamento, acondicionamento, manuseio e dosagem, como acontece com o cloro gás;
• Evita riscos de toxicidade aos trabalhadores, corrosividade dos materiais e danos ao meio ambiente;
• Eficiente nas etapas de pré e pós-oxidação;
• Redução de consumo de produtos químicos no processo de tratamento de água;
• Vantagem de trabalhar com soluções oxidantes líquida, ao invés de misturas de gases oxidantes;
• Possui alta ação bactericida, eliminando microrganismos que se comportam resistentes ao processo de desinfecção com o cloro, a exemplo dos esporos de bactérias aeróbias.
• Oxidação de ferro e manganês.

Atualmente, empresas de saneamento já estão substituindo os atuais desinfetantes utilizados no tratamento pela tecnologia de produção in loco de hipoclorito de sódio. Vejamos na Tabela 2 algumas dessas empresas.

Tabela 2 – Sistemas de tratamento de água com produção de solução de hipoclorito de sódio in loco

Observa-se que a maioria das empresas utilizavam o cloro gás como desinfetante. Ao substituírem pela tecnologia da solução de hipoclorito de sódio in loco, além de diminuírem os riscos atribuídos ao vazamento de gás, garantiram uma maior eficiência nos processos oxidativos e um melhor custo-benefício. Já em relação a SEMAE no Rio Grande do Sul que utilizava a pastilha de hipoclorito de cálcio, obteve grandes vantagens principalmente em relação a redução dos custos, tendo em vista o alto valor das pastilhas.

Assim, a Hidrogeron® vem promovendo a redução de riscos e melhorando a qualidade de água fornecida aos usuários dos sistemas de abastecimento, através de uma tecnologia inovadora, limpa e eficiente, garantindo aos seus clientes um maior custo-benefício, segurança e conformidade com o meio ambiente.

Amanda Laurentino Torquato
Eng. Sanitarista e Ambiental
Eng. Segurança do Trabalho
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